segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Tatianna Raquel Podcast Episódio 28: "No balanço do mar: poemas e canções inspirados no Marujo das Marés"

Olá, gente! Fala Tatianna Raquel e este é o meu podcast, aqui neste blog. Cada quinzena um assunto diferente pra você ficar bem informado no que rola por aí (acompanha também a versão em áudio, disponível em Mp3 para baixar e escutar no iPod Touch, no iPhone ou no Tablet. 
Bom divertimento! 

Levante a âncora e vamos navegar! Hoje neste episódio do podcast vamos falar do mar, sua poesia e suas canções náuticas. Da "Paixão pelo mar" de John Masefield até "Marujo" do Chimarruts. Vamos conferir?

O mar também está pra peixe

Quando escrevi, em meados de 1995, o meu conto O Marujo das Marés para o livro Contos e Temas Livres (disponível também no Wattpad), ambientado em alto mar, imaginei um marujo (um marinheiro apaixonado pelo mar) e um navio em alto mar, com gaivotas voando, um porto em terra firme, uma ilha ao sol pra descansar - um cenário náutico de todos! - e passei pro enredo do meu conto. (Não é o marinheiro Popeye que sempre come espinafre só pra dar um murro no brutamontes chamado Bluto só pra ficar com sua namorada Olive Oyl, e sim um marinheiro mais descolado que tá doido pelo mar, tô falando sério!) Não é a toa que, sempre que vou a Ponta da Praia, Ferry Boat, à marina ou ao Porto de Santos e aprecio os navios, o mar e as gaivotas, pego uma carona na inspiração n' O Marujo das Marés, e de um jeito náutico.
De todos os poemas e canções náuticos, mencionemos alguns. 

Preciso lançar-me aos mares novamente,
ao mar solitário e o céu,
e tudo o que peço é uma nave e uma estrela para me guiar,
e a força da roda do leme e a canção do vento e a vela branca se agitando,
e uma bruma cinza na superfície do mar e um alvorecer cinzento.

Preciso lançar-me aos mares novamente,
pois o chamado da maré é feroz
e um claro chamado que não deve ser ignorado;
e tudo o que peço é um dia com vento com as nuvens brancas passando,
e as gotículas arremessadas e a espuma soprada, e o som das gaivotas.

Preciso lançar-me aos mares novamente,
Para a vida errante, nômade, como a da da gaivota, da baleia
onde o vento é como uma faca afiada;
e tudo o que peço é a história divertida de um companheiro risonho,
e um sono tranqüilo e bons sonhos quando a longa brincadeira terminar.

- John Masefield (Sea Fever, 1902)

Essa poesia de John Masefield que eu postei neste blog há dois anos (e até hoje pode ser lido por muita gente) fala da paixão de alguém pelo mar e pela costa litorânea (eu que nasci em Santos - e junto ao mar - , admiro muito a brisa do mar e desse lugar litorâneo, o Litoral Paulista). 

Sailing on the tide in the morning
Open sea and salty air;
Sailing through the wide horizon
Let the fresh winds guide us there.

Maybe if you feel like it, too
You might like to make the run,
Sailing over the ocean
To my beautiful island in the sun
.

- Tony Peluso e John Bettis (Sailing on the Tide, 1978)

Tony Peluso, o guitarrista dos irmãos Karen e Richard Carpenter - a banda de irmãos Carpenters - , ficou fascinado pelo mar e por andar de barco mar adentro. Foi por isso que ele compôs "Sailing on the Tide" com o letrista John Bettis, uma canção náutica. Primeiro o próprio Tony gravou em estúdio e depois os Carpenters a regravaram também no mesmo dia (a música já é faixa 2 do CD Voice of the Heart, de 1983). Karen, infelizmente, faleceu em 1983 aos 32 anos (cinco anos depois de ter gravado com o irmão dela a mesma música citada acima). E Tony Peluso também morreu, só que em 2010, aos 70 anos. Mas ele deixou um legado na canção Sailing on the Tide, que, por coincidência, baseia o conto da minha autoria, O Marujo das Marés, da minha autoria. 

Будешь сеять ветер в море,
В синем море, в белой пене…

- Robert Amirhanyan e Robert Saakyants ("Оставайся, мальчик, с нами!", 1984)

Traduzindo: "Tu tem que semear a brisa ao mar: no mar azul, na espuma branca." Essa música que Robert Amirhanyan e Robert Saakyants (ambos armênios de língua russa e ex-soviéticos) fizeram para o curta de animação da Armenfil'm Mar azul, espuma branca… (В синем море, в белой пене…, 1984) - especialmente para Anait Kanachyan, a voz da Filha do Rei do Mar, será sempre lembrada pelas meninas que querem ser como ela e cantar a canção náutica. Já foi regravada ao longo dos anos por vários artistas…

… incluindo o grupo Korolyova (As Rainhas), que a regravaram em 2007. Uma versão em português cujo tema é romance náutico (diferente do tema sobre a princesa marinha aproveitando os navios afundados e baús de ouro para fazer do cara o rei dela) fui eu que fiz e já está fazendo sucesso no YouTube até este momento. Duas versões diferenciadas da canção - uma em russo e outra em português - abordam o mesmo tema: o mar. 

MOMENTO LYRYA
Lev Misha e eu passamos o fim de semana em Komarovo. Antes do nosso passeio de barco pelo mar, aquele barco passou antes de nós e entramos na pior quando de repente um cara chamado Yaroslav nos convidou para um passeio de escuna pelo mar, aproveitando o dia ensolarado, as gaivotas e tudo o que há de náutico por aí, e foi no que fizemos. Yaroslav é um excelente marujo do litoral de Komorovo; gentil e muito legal. Pelo jeito a gente pode aproveitar um passeio de barco pelo mar debaixo do céu ensolarado. 


Entrei de gaiato no navio, uou!
Entrei, entrei, entrei pelo cano.
Entrei de gaiato no navio, uou!
Entrei, entrei, entrei por engano!

- Herbert Vianna (Melô do Marinheiro, 1986)

O cantautor Herbert Vianna, líder dos Paralamas do Sucesso, também pegou na inspiração no cenário náutico em alto mar (e a bordo do navio) só pra compor uma música náutica que fala do marinheiro e suas doidas aventuras a bordo do navio: Melô do Marinheiro, cuja "entrei de gaiato no navio, uou!/entrei, entrei, entrei pelo cano" é eternizada por muitos. Música de maior sucesso nos anos 80 (Melô estreou em 1986, dois anos depois da estreia do curta de animação armênio "Mar Azul, Espuma Branca…"), Melô do Marinheiro, hit dos Paralamas do Sucesso, será sempre lembrada como uma música náutica que continua fazendo a cabeça da galera. 

あとは ヨーソロ…
恋も夜霧の 港町 港町

Ato wa yōsoro...
Koi mo yoru kiri no minatomachi
minatomachi

Depois do "Yōsoro"…
O amor também vai ser uma cidade portuária da noite de nevoeiro. 

- Yurio Matsui e Yasutaroh To (Abayo, especialmente para Kiyoshi Hikawa, 2007) 

Em 2007, 21 anos depois da Melô do Marinheiro de Herbert Vianna aqui no Brasil, na Terra do Sol Nascente (isso mesmo, no Japão!) também tem marujo apaixonado no pedaço (e só por essa música Abayo): o marujo apaixonado é o cantor de enka Kiyoshi Hikawa, que lançou dois singles no mesmo dia; um deles é Abayo (composição de Yurio Matsui e Yasutaroh To), que fala de um cara que se despede da garota e vai pra outro lugar - a bordo do navio, em alto mar, bancando o marinheiro, vendo as gaivotas e apreciando o mar azul sob o céu ensolarado. O clipe musical mostra Kiyoshi Hikawa a bordo do navio em alto mar (e também em pleno porto), vestindo roupas de marinheiro: terno tipo blazer e calça boca-larga brancos, camisa de manga curtíssima listrada (branco com azul-mar) e cachecol azul-mar e na cabeça um chapéu de capitão da Marinha, compondo um lindo visual náutico (o mesmo visto nas capas do CD/DVD/Blu-Ray, nos shows e apresentações ao vivo, entre outros), apresentando a canção Abayo (que significa "Eu estarei aí!" ou, livremente, "Te vejo lá!"). É a primeira canção enka a ter como tema lembranças de um marujo em alto mar (porque justamente Abayo é um enka "náutico", bem como Genkai Funauta, lançado no ano seguinte). Quem prestar atenção nela (e no clipe musical) vai se sentir como se você estivesse a bordo do navio e vai se apaixonar pela canção na voz de Kiyoshi Hikawa, pode ter certeza! 


Viver, tudo que há de bom
Pois amanha não se sabe, tudo pode acontecer
Tem que sentir queimar o coração
Valorizar amizade, estamos no mesmo barco
Remando, remando… 

- Chimarruts (Marujo, 2014)

Recentemente a banda de reggae gaúcha Chimarruts lançou seu download digital com a nova música, Marujo. E o tema náutico é o mesmo, como na música de Kiyoshi Hikawa, Abayo: mesma partida, mesmo cais, mesmo navio em alto mar, mesma chegada em terra firme. Dessa vez, os dois refrões da mesma música transmitem uma mensagem de otimismo. Tanto Marujo do Chimarruts quanto Abayo de Kiyoshi Hikawa - assim como todas as outras canções náuticas - têm link um com o outro (ou seja, se Abayo representa o Japão, Marujo representa o Brasil, por isso se ligam uma com a outra!). E olha que é uma canção náutica também! 

Você entendeu, né? Na próxima quinzena tem mais episódio no meu podcast, com um tema diferente. Enquanto isso, vamos navegando!




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